sábado, 5 de janeiro de 2013

Gabriela

Assumo que gosto de ver novelas (não sou como uns e outros e dizem que não vêem mas sabem toda a história e conhecem todos os personagens) e perdoem-me os autores nacionais, mas só consigo interessar-me por novelas brasileiras. Talvez a culpa seja de não haver produção nacional quando eu era consumidora assídua, e ainda estava a formar opinião, mas o facto é que quando se fala em novelas é em português açucarado e mais nada!!

Recentemente, a única que me desperta a atenção e consome algum do meu tempo é a Gabriela, novela adaptada do romance Gabriela, cravo e canela do escritor brasileiro Jorge Amado merecedor de vários prémios literários. Este escritor fala nas suas obras principalmente dos problemas e injustiças sociais, do folclore, da politica, das crenças e tradições e da sensualidade do povo brasileiro e esta obra não é excepção.

Sempre me interessei por novelas de época, talvez porque sou curiosa e entusiasma saber como era a vida noutras paragens. Para além disso, esta novela conta com excelentes actores (o que é normal) e tem para mim um interesse maior porque apesar de retratar a sociedade da década de 20 em Ilhéus, poderia perfeitamente retratar (com as devidas adaptações) qualquer cidade portuguesa do séc XXI.

É retratada uma cidade que anseia progressos, que conta com bares e bordeis para alimentar o corpo, onde a economia local depende da produção de cacau, onde a vida de toda a sociedade é decidida por meia dúzia de coronéis (auto intitulados) que mantêm um "exercito" de homens armados, os tão conhecidos jagunços e por onde prolifera os aldrabões e vigaristas de calibre variado que sobrevivem da ingenuidade alheia e onde a mulher vale 0 ou até mesmo um pouco menos.

Visto bem, podia ou não podia ser uma cidade do nosso Portugal no presente século???


 

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